O COMEÇO DO FIM DO MUNDO

26/01/2010

O mito do fim do mundo não existia entre os judeus. O hebreus não esperavam o fim do mundo.  Seu livro sagrado diz que eles iriam dominar sobre todas as nações para sempre.  A pregação do fim do mundo surgiu no mundo cristão, com base na crença em ressurreição, transmitida aos judeus pelos babilônios.

 

 As escrituras sagradas hebraicas dizem que Yavé, o deus criador de todas as coisas, destruiu o mundo com uma inundação e depois prometeu nunca mais fazer isso (Gênesis, 6: 17 a 8: 21).  Teria sido esta a promessa: "Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer."  

 

Afirmam as ditas escrituras que, como a descendência de Noé perpetuou a maldade, Yavé escolheu Abraão, cuja descendência, que culminou nos judeus, se tornaria numerosa e dominaria sobre todas as nações do mundo.

 

E a promessa é incondicional: "Achei Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi. A minha mão será sempre com ele, e o meu braço o fortalecerá. O inimigo não o surpreenderá, nem o filho da perversidade o afligirá. Eu esmagarei diante dele os seus adversários, e aos que o odeiam abaterei. A minha fidelidade, porém, e a minha benignidade estarão com ele, e em meu nome será exaltado o seu poder. Porei a sua mão sobre o mar, e a sua destra sobre os rios. Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha salvação. Também lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei o mais excelso dos reis da terra. Conservar-lhe-ei para sempre a minha benignidade, e o meu pacto com ele ficará firme. Farei que subsista para sempre a sua descendência, e o seu trono como os dias dos céus. Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nas minhas ordenanças, se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos, então visitarei com vara a sua transgressão, e com açoites a sua iniqüidade. Mas não lhe retirarei totalmente a minha benignidade, nem faltarei com a minha fidelidade. Não violarei o meu pacto, nem alterarei o que saiu dos meus lábios. Uma vez para sempre jurei por minha santidade; não mentirei a Davi. A sua descendência subsistirá para sempre, e o seu trono será como o sol diante de mim; será estabelecido para sempre como a lua, e ficará firme enquanto o céu durar. (Salmos, 89: 20-37).

 

A história nos mostra que essa promessa não se cumpriu: os judeus foram subjugados algum tempo depois, e sua monarquia teve fim. 

 

Nos dias do domínio assírio, um profeta prometeu o seguinte:


“Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Portanto os entregará até o tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o resto de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. E ele permanecerá, e apascentará o povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus; e eles permanecerão, porque agora ele será grande até os fins da terra. E este será a nossa paz. Quando a Assíria entrar em nossa terra, e quando pisar em nossos palácios, então suscitaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. Esses consumirão a terra da Assíria à espada, e a terra de Ninrode nas suas entradas. Assim ele nos livrará da Assíria, quando entrar em nossa terra, e quando calcar os nossos termos. E o resto de Jacó estará no meio de muitos povos, como orvalho da parte do Senhor, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem aguarda filhos de homens. Também o resto de Jacó estará entre as nações, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leão novo entre os rebanhos de ovelhas, o qual, quando passar, as pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre. A tua mão será exaltada sobre os teus adversários e serão exterminados todos os seus inimigos. Naquele dia, diz o Senhor, exterminarei do meio de ti os teus cavalos, e destruirei os teus carros; destruirei as cidade da tua terra, e derribarei todas as tuas fortalezas. Tirarei as feitiçarias da tua mão, e não terás adivinhadores; arrancarei do meio de ti as tuas imagens esculpidas e as tuas colunas; e não adorarás mais a obra das tuas mãos. Do meio de ti arrancarei os teus aserins, e destruirei as tuas cidades. E com ira e com furor exercerei vingança sobre as nações que não obedeceram.” (Miquéias, 5: 2-15).

 

Todavia, os fatos frustraram irreparavelmente essa promessa, quando Josias foi morto em batalha pelo faraó Neco, e quem ditou as coisas em Judá desde então foi o Egito (II Reis, 23: 29, 30, 33-36; 24: 7-14).

 

No período do cativeiro babilônico houve a promessa de restauração de Jerusalém e o estabelecimento desse reino eterno:

 

"Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão: Mas alegrai-vos e regozijai-vos perpetuamente no que eu crio; porque crio para Jerusalém motivo de exultação e para o seu povo motivo de gozo. E exultarei em Jerusalém, e folgarei no meu povo; e nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor. Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não tenha cumprido os seus dias; porque o menino morrerá de cem anos; mas o pecador de cem anos será amaldiçoado. E eles edificarão casas, e as habitarão; e plantarão vinhas, e comerão o fruto delas. Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam; porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus escolhidos gozarão por longo tempo das obras das suas mãos: Não trabalharão debalde, nem terão filhos para calamidade; porque serão a descendência dos benditos do Senhor, e os seus descendentes estarão com eles. E acontecerá que, antes de clamarem eles, eu responderei; e estando eles ainda falando, eu os ouvirei. O lobo e o cordeiro juntos se apascentarão, o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor" (Isaías, 65: 17-25).

 

As expressões "últimos dias" e "tempo do fim" nunca eram usadas como o fim do mundo, mas o fim dos domínios gentios e o começo do reino eterno dos judeus.

 

Babilônia foi destronada também, mas o reino judeu não veio; eles ficaram subjugados ao império medo-persa, que derrotou o babilônico.

 

Da submissão ao domínio medo-persa passara param o grego, quando Alexandre o Grande subjugou os medos e persas.

 

Após a morte de Alexandre, o império foi divido entre seus quatro generais: Cassandro, Lisímaco, Ptolomeu e Seleuco.

Quando um dos sucessores de Seleuco, Antíoco Epífanes profanou o templo de Jerusalém e estabeleceu sobre ele sacrifícios aos seus deuses, após alguns anos de humilhação, Judas Macabeu conseguiu restabelecer o santuário. Parece que nesses dias é que apareceu a profecia de Daniel falando da abominação assoladora: os capítulos 8 a 12 de Daniel (o livro de Daniel não é uma seqüência, mas os capítulos 7 e 8 foram até escritos em línguas diferentes, o primeiro, que parece ter vindo por último, em aramaico e o segundo em hebraico, conforme informam alguns estudiosos).

 

Novamente, a promessa falhou. Judas Macabeu venceu a guerra, mas não conseguiu estabelecer o reino eterno. Pouco tempo depois, vieram os romanos. A história registra que houve alguns judeus que tentaram se livrar dos romanos, mas foram todos derrotados, até um dia os romanos se irritarem, destruírem Jerusalém e, tempos depois, dispersarem os judeus pelo mundo. E até hoje eles esperam um dia dominar o planeta.

 

Quando surgiu o Cristianismo, apareceu nova interpretação das profecias de Daniel.  Quem escreveu o evangelho de Mateus afirmou que a grande tribulação era a destruição de Jerusalém pelos Romanos, e, logo após essa tribulação,  o Sol escureceria, também a lua, e as estrelas cairiam do céu (Mateus, 24: 29), após o que Jesus estaria retornando nas nuvens do céu para levar seus escolhidos para o reino dos céus.

 

A segunda epístola de São Pedro registrou este presságio: "Pois eles de propósito ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste; pelas quais coisas pereceu o mundo de então, afogado em água; mas os céus e a terra de agora, pela mesma palavra, têm sido guardados para o fogo, sendo reservados para o dia do juízo e da perdição dos homens ímpios." (II pedro, 3: 5-7). " Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas." (Vers. 10).

 

O reino eterno dos judeus, conforme se vêm em Isaías, 65: 17-25, não teria nada de sobrenatural, continuando as pessoas a pecarem e morrerem. Só a partir do convívio com babilônios e persas eles assimilaram a idéia de ressurreição e vida eterna.  Por isso o livro de Daniel já fala de ressurreição de "uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno" (Daniel, 12: 2).   É por isso que o  reino eterno dos cristãos já é um lugar sobrenatural, sem pecado, sem sofrimento e sem morte (Apocalipse,  21: 4).

 

A origem do fim do mundo teve o seu embrião na crença na ressurreição, assimilada durante o cativeiro babilônico.  Antes, a promessa do livro sagrado hebreu era de que nunca mais o mundo seria destruído; mas os cristãos transformaram o previsto tempo do fim em fim do mundo.