POR QUE AINDA ESPERAM O FIM DO MUNDO E A VOLTA DE CRISTO?
(ANTICRISTO - 03/03/2003 - 20:51)

 

O fim do mundo é a coisa mais anunciada desde dois mil anos atrás. Mas, pela leitura da própria Bíblia, vê-se que aquele fim anunciado, se tivesse que ocorrer, teria ocorrido há séculos. 

 

Veja alguns textos abaixo:

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos. Sabe, e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas: as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos. Depois das sessenta e duas semanas será morto o Ungido, e já não estará; e o povo de um príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas. Ele fará aliança com muitos por uma semana; na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele.” (Daniel, 9: 24-27).
“... o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, quando levantou a mão direita e a esquerda ao céu, e jurou por aquele que vive eternamente, que isso seria depois de um tempo, dois tempos e metade de um tempo. E quando se acabar a destruição do poder do povo santo estas coisas todas se cumprirão” (Daniel, 12: 7).
“... haverá um tempo de angústia qual nunca houve desde que houve nação até aquele tempo” (Daniel 12: 1).
“Depois do tempo em que o costumado sacrifício for tirado, e posta a abominação desoladora, haverá ainda mil duzentos e noventa dias. Bem-aventurado o que espera e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias” (Daniel, 12: 11, 12).

Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel no lugar santo (que lê entenda)" (Mateus, 24: 15). "Quando, pois virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação" (Lucas, 21: 20).


"Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido, e nem haverá jamais" (Mateus, 24: 21 [Referência a Daniel, 12:01]).


"E, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles" (Lucas, 21: 20). "Estes por quarenta e dois meses calcarão aos pés a cidade santa." (Apocalipse, 11: 2).


"Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória. E ele enviará seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus." (Mateus, 24: 29 a 31).

Os evangelhos de Mateus e Lucas foram escritos após a destruição de Jerusalém. Eles já estavam vivendo o período chamado de “tempos dos gentios” e “tempo de angústia”, que deveria durar os “mil duzentos e sessenta dias”. E, “logo após a tribulação daqueles dias”, deveriam ocorrer aqueles absurdos fenômenos cósmicos, como a queda das estrelas, e o seu Cristo estaria retornando para buscar seus seguidores.

O tempo: dizem que cada dia corresponde a um ano. Se fossem dias literais, seria ainda pior para os intérpretes. O mundo teria acabado no início do Cristianismo.


Setenta semanas a partir da “ordem para restaurar e reedificar Jerusalém” (afirma-se que essa ordem ocorreu no ano 473 antes de Cristo), chegaria até os dias da morte de Cristo. Está escrito que “na metade da semana” (a última) “fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”, que seria o mesmo que ser “morto o ungido” (Cristo oferecido pelos pecados do mundo). Também diz o texto bíblico que “Depois do tempo em que o costumado sacrifício for tirado, e posta a abominação desoladora, haverá ainda mil duzentos e noventa dias”. E, em vários lugares se fala de “mil duzentos e sessenta dias”; “um tempo, dois tempos e metade de um tempo”; “quarenta e dois meses”; etc.

Considerando que a tirada do costumado sacrifício seria o sacrifício de Jesus, começando daí os “mil duzentos e noventa dias”; ou começando os “mil duzentos e sessenta dias a partir do cerco de Jerusalém” (dizem que começou no ano 64, aproximadamente trinta anos da morte de Cristo), período da “grande tribulação” ou “tempo de angústia”, em que o assolador destruiria a “cidade santa”, teríamos o final do chamado “tempo dos gentios” no século XIV. “Logo após a tribulação daqueles dias”, teríamos o escurecimento do sol e da lua e a queda das estrelas, vindo a seguir a volta do “filho do homem” (Cristo).


Se uma estrela tem que ter no mínimo vinte e seis mil vezes o tamanho da Terra, é impossível as estrelas caírem “pela terra como a figueira quando, abalada por vento forte, lança seus figos verdes” (Apoc. 6:13).


Não é sem razão que já se disse que o livro de Daniel teve pelo menos uma parte escrita nos dias Cristãos. A cronologia do livro é muito harmoniosa com os fatos até o primeiro século da Era Cristã. Depois, nem precisamos dizer mais nada.

Até os evangelistas, que apresentaram palavras ditas ser do próprio Jesus, cria-se que o Império Romano, após o período de massacre dos judeus, seria substituído pelo reino do Cristo. O autor do Apocalipse adicionou mais um dono do mundo, representado pela besta semelhante a touro com chifres de cordeiro. Essa não existe no livro de Daniel, nem foi cogitada nos evangelhos. Os tempos passaram. Os judeus ficaram dispersos pelo mundo por muitíssimo mais tempo do que previsto, ainda que considerando cada dia um ano (1260 a partir de 64 chegaria a 1324). O Sol e a Lua continuam a brilhar por todos esses séculos. A queda das estrelas já se sabe que é impossível ocorrer. Outros povos já dominaram o mundo, como os ingleses, depois os americanos, que continuam ditando as ordem; surgiu a União Soviética, que ficou com uma boa parte do mundo, mas sucumbiu.

Se está tão claro: “abominável da desolação de que falou o profeta Daniel no lugar santo” (Mateus, 24: 15), o mesmo que "Jerusalém sitiada de exércitos” (Lucas, 21: 20), com "grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora [nos dias do evangelista] não tem havido, e nem haverá jamais" (Mateus, 24: 21 [Referência a Daniel, 12:01]); e "até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles" (Lucas, 21: 20); e "estes por quarenta e dois meses calcarão aos pés a cidade santa." (Apocalipse, 11: 2); e as coisas não foram exatamente como anunciadas após aqueles dias; como se poderia ainda esperar um tempo de angústia e a volta do Cristo nos nossos dias? Só quando ouço essas pessoas dizendo que estamos no fim do mundo, que acredito que ainda haja gente esperando esse tão falado “fim do mundo”.

A única explicação que encontro para ainda haver tantas pessoas à espera desse evento, é que elas aprenderam que tudo que está na Bíblia tem que acontecer mesmo, e, por isso, nem se dão ao trabalho de analisar para verificar que já se passou muito o prazo anunciado e os fatos foram diferentes dos previstos.